Justificação
O Curso de Outono da Casa do Conhecimento de Paredes de Coura, da Universidade do Minho, está direcionado para um público geral, ainda que nalgumas das suas realizações sejam contemplados temas específicos, como é o caso da edição de 2016. A escolha do tema Escola – Aprendizagens, Indisciplina e Avaliação é suficientemente justificado pela pertinência das questões ligadas ao contexto escolar, com tendência para serem tratadas nos media de forma planfetária e distorcida de uma visão global.
Se a escola é por si problemática, pela diversidade dos seus atores principais, mais agudizada ainda pela (im)possibilidade de existir um igualitarismo que seja a sua matriz de inclusão, bem como pela referenciação de inúmeros fatores que não são indissociáveis de pessoas, com interesses, expetativas e motivações muito diferentes quando se fala de sucesso escolar, indisciplina e avaliação, a abordagem de tais temáticas, através de especialistas reconhecidos academicamente, pode tornar-se num contributo significativo para que outros olhares sejam possíveis sobre uma organização que é essencial para a educação e formação qualitativas.
Pretende-se que o debate em torno de cada conferência permita que educadores, professores, técnicos de educação, pais e outros elementos da comunidade confrontem posições, contribuindo desse modo para a construção de ideias alicerçadas quer em termos teórico e concetuais, quer a partir de resultados de investigação.
O debate torna-se mais oportuno num ano em que se comemoram os trinta anos da Lei de Bases do Sistema Educativo, com a exploração de muitos cenários possíveis para uma alteração que responda aos atuais desafios.
São eixos temáticos deste Curso: Aprendizagens, Indisciplina e Avaliação.
Destinatários
Educadores de infância, professores, técnicos de educação, pais e outros elementos da comunidade.
Objetivos
- Promover a discussão de temas relacionados com a escola em contexto de formação.
- Abordar temáticas pertinentes da escola mediante quadros teóricos e concetuais e resultados de investigação.
- Integrar os atores educativos numa discussão de temas que geram posições divergentes sobre a escola como organização social complexa.
Conteúdos da ação
Na conferência sobre “Os 30 anos da Lei de Bases do Sistema Educativo e a avaliação em educação”, far-se-á, inicialmente, uma rápida revisitação diacrónica em relação ao contexto social e político em que ocorreu a aprovação da LBSE, tendo em conta, sobretudo, algumas dimensões de um período marcado pelo final da «normalização» da sociedade portuguesa e pelo início da integração na então CEE. A LBSE condicionou, desde logo, os trabalhos e propostas da última grande reforma educativa em Portugal, tendo constituído um referencial importante na definição subsequente das políticas públicas para a educação, nomeadamente no que diz respeito à avaliação.
A construção da excelência académica na escola pública será discutida a partir de uma análise ancorada em três escalas de observação: macro (políticas de regulação da educação); meso (efeito-estabelecimento, designadamente as dimensões da gestão e liderança); e micro (percursos escolares e não-escolares a partir de experiências juvenis). Por um lado, a abordagem incidirá sobre uma noção mais ampla do quotidiano educativo, para além das lógicas da cultura escolar e dos modos de regulação oficiais do sistema de ensino; por outro lado, o design metodológico privilegiará o estudo em profundidade de quatro estudos de caso, elegendo como população-alvo o universo de alunos com desempenhos excelentes (classificações iguais e superiores a 18 valores) pertencentes às escolas selecionadas. Os resultados apontam para a relevância de múltiplos fatores na fabricação da excelência: as aprendizagens informais e não formais, o projeto pessoal e o trabalho escolar no interior da escola e as estratégias de gestão organizacional e pedagógica como investimento na construção de uma elite escolar.
A indisciplina é recorrentemente referenciada na literatura especializada como um dos principais obstáculos à ação dos professores e à aprendizagem dos alunos (Canter & Canter, 2001). Contudo, a indisciplina, para além de uma faceta objetiva (e.g. número de incidentes escolares registados pela polícia), tem associados fatores subjetivos relacionados com a perceção individual do que é a indisciplina, com a perceção da eficácia pessoal dos professores (ou institucional, das escolas) para lidar com o problema, etc. (Brouwers & Tomic, 2000). Nesta comunicação serão apresentados resultados de um estudo sobre perceções de professores portugueses do ensino básico (n = 2800) acerca da indisciplina em sala de aula.
Assegurada a todos o acesso à educação, procura-se agora assegurar, igualmente a todos, uma educação de qualidade. Este objetivo é, em Portugal como em outros países parceiros, mais difícil de ser alcançado. Assim, partindo de uma clarificação do conceito de aprendizagem, descrevem-se algumas variáveis dos alunos que moldam o ritmo e a profundidade das suas aprendizagens, no fundo o seu sucesso escolar. Não se pretendendo circunscrever ao aluno a qualidades das suas aprendizagens e rendimento, a opção nesta comunicação é por diferenciar as formas de aprender do aluno com mais e menos sucesso escolar, elencando também algumas medidas que podem facilitar a aprendizagem por parte dos alunos que apresentam dificuldades. Neste sentido, ilustram-se atividades que podem ser implementadas pela escola e pela família em prol do sucesso escolar dos alunos.
Programa (em anexo)
Metodologia
A tipologia a ser utilizada no Seminário será a seguinte:
- Conferências;
- Debates com exploração teórico e concetual dos temas abordados.
Condições de frequência da ação
Os formandos terão de frequentar o seminário a tempo inteiro, perfazendo um total de 12h de formação.
Regime de avaliação dos formandos
Conforme a Carta Circular do Conselho Científico Pedagógico da Formação Contínua (CCPFC) – 3/2007, bem como a Carta Circular do CCPFC – 1/2008, a avaliação dos formandos é expressa quantitativamente, devendo o formando obter uma classificação mínima de 5 (suficiente) numa escala de 1 a 10 valores. A avaliação terá um carácter formativo, resultando num relatório que deverá ser entregue até duas semanas após o terminus do Seminário.
Modelo de avaliação da ação
Para a atribuição da creditação é necessário que o formando cumpra os seguinte pré-requisitos:
Referências bibliográficas
Afonso, A. J. (1997). O neoliberalismo educacional mitigado numa década de governação social-democrata: um contributo sociológico para pensar a reforma educativa em Portugal (1985-1995). Revista Portuguesa de Educação, 10(2), 103-137.
Afonso, A. J. (1998). Políticas Educativas e Avaliação Educacional. Braga: Universidade do Minho.
Afonso, A. J. (2009). Para uma crítica da avaliocracia. In AAVV., Ideias para Grandes Decisões. Lisboa: Campo da Comunicação, 53-56. [Inicialmente publicado em OPS! Revista de Opinião Socialista, 2, 2008, 14-16].
Torres, Leonor L. & Palhares, José A. (2014) (orgs.). Entre mais e melhor escola em democracia. A inclusão e a excelência no sistema educativo português. Lisboa: Mundos Sociais.
Torres, Leonor L. & Palhares, José A. (2015). Cultura, liderança e resultados escolares: uma abordagem a partir das representações dos alunos do ensino secundário. Revista Lusófona de Educação, 30, 99-121.
Nogueira, Maria Alice (2004). Favorecimento económico e excelência escolar: Um mito em questão. Revista Brasileira de Educação, 26, 133-144.
Derouet, J-L. (2010). Crise do projeto de democratização da educação e da formação ou crise de um modelo de democratização? Algumas reflexões a partir do caso francês (1980-2010). Educação & Sociedade, 31(112), 1001-1027.
Brouwers, A., & Tomic, W. (2000). A longitudinal study of teacher burnout and perceived self-efficacy in classroom management. Teaching and Teacher Education, 16, 239-253.
Canter, M., & Canter, L. (2001). Assertive discipline. Los Angeles: Canter & Canter Associates.
Lopes, J., & Santos, M. (2013). Teachers’ beliefs, teachers’ goals and teachers’ classroom management: A study with primary teachers. Revista de Psicodidáctica / Journal of Psychodidactics, 18(1), 5-24.
Alves, A. F., Martins, A., Lemos, G. C., & Almeida, L. S. (2014). Pais e comunidade: Quem se destaca no desenvolvimento cognitivo da criança? In L. Almeida et al. (Orgs.), Atas do II Seminário Internacional sobre Cognição, Aprendizagem e Desempenho (pp. 72-80). Braga: CIEd-Universidade do Minho.
Almeida, L. S., & Araújo, A. M. (Eds.) (2014). Aprendizagem e sucesso escolar: Variáveis pessoais dos alunos. Braga: Associação para o Desenvolvimento da Investigação em Psicologia da Educação, ADIPSIEDUC.
Lemos, G. C., & Almeida, L. S. (Eds.) (2015). Cognição e aprendizagem: Promoção do sucesso escolar. Braga: Associação para o Desenvolvimento da Investigação em Psicologia da Educação, ADIPSIEDUC.
Supervisora
Natália Maria Barbosa de Sousa Costa (Universidade do Minho) – CC: 9180972
Formadores
Leandro da Silva Almeida (Universidade do Minho) – CC: 03359164
Leonor Maria de Lima Torres (Universidade do Minho) - CC: 8240650
Almerindo Janela Gonçalves Afonso (Universidade do Minho) – CC: 4069472
João Arménio Lamego Lopes (Universidade do Minho) – CC: 3456625
Joana Raquel Faria de Sousa (Universidade do Minho) – CC: 12964362
José Augusto Branco Palhares (Universidade do Minho) - CC: 7076352
José Augusto de Brito Pacheco (Universidade do Minho) - CC: 03677550
José Carlos Bernardino de Carvalho Morgado (Universidade do Minho) – CC: 7298426
PROGRAMA E CARTAZ
